19 janeiro 2011

Anjo à toa


Não busque no meu corpo a carne, a chama.

Nem veja no meu rosto uma consagração qualquer.

Eu sei que sou um anjo à-toa neste mundo.

Um tiro certo, um poço fundo,

um precipício aberto, uma mulher.

O que é que eu faço com essa sensação estranha,

que me persegue e me apanha,

e me vira pelo avesso,

que não tem fim nem começo

e me faz o que bem quer?

O que é que eu faço com essa sensação perdida,

desvairada, enlouquecida,

displicente, amargurada,

se o meu sorriso anda tão comprometido

e se a gente passa e pensa,

sem recompensa, sem nada?

Eu quero ser seu anjo,

à-toa e vagabundo,

seu mistério o mais profundo

e você vem quando quiser.

Se você quer morrer de amor,

morrer de vício,

eu quero ser seu precipício,

seu amor, sua mulher.

(Kátia Drummond/ Tamir Drummond)

Um comentário:

Fer Siqueira* disse...

simples assim... LINDO. ^^